quarta-feira, 16 de julho de 2014

VILA DE HIDROLÂNDIA, resumo de sua Historia





 
A vila de Hidrolandia, completa hoje 06 de setembro de 2020, 166 anos, 6 de Setembro de 1854, um senhor serrano do  Assuruá (atual Gentio do Ouro) que criava gado e mexia com brejos onde se praticava uma pequena agricultura de subsistência, comprou um pedaço de terra o qual deu o nome de RIACHO DE AREIA, SERRANO É UM TERMO MUITO CORRENTE NA VILA DE HIDROLÂNDIA-UIBAÍ-BA, mas geralmente esse termo se refere ás famílias que vieram no que chamamos de BOOM DEMOGRÁFICO DE RIACHO D'AREIA, determinado período em que o então povoado passa a crescer rapidamente atraindo gente de vários lugares com destaque para os "Serranos" do município de Gentio do Ouro. Tal período tem inicio a partir de 1950 quando toda a região Irecê entra num rápido processo de reestruturação onde o tripé milho-feijão de arranca e mamona entram em cena remodelando toda a paisagem física, social, econômica e cultural da nossa região e o povoado de Riacho D'areia que já passava por uma fase de transição, agora entra numa fase interessante, a de atrair e também de repulsar, ou seja, ao mesmo tempo em que recebia gente do Vale do Rio Verde, das Lavras, do "norte"( Piauí, Ceará e Pernambuco) exportava gente pra Xique-Xique e São Paulo principalmente, a atração porém foi maior. Esse remanejamento de população aconteceu aqui e em muitos lugares do país obedecendo a uma nova lógica que o mundo vinha conhecendo principalmente após o fim da II guerra mundial quando países como o Brasil entram num rápido e louco fenômeno de urbanização ( crescimento das cidades) e de industrialização, portanto, vários filhos da nossa terra quiseram ir ( ou foram empurrados) ao "novo mundo do Sul" , ao mesmo tempo em que aqui a agropecuária entra como falei numa nova fase, onde o consórcio milho-feijão de arranca e mamona vira a nova marca e assim dezenas de serranos resolvem tentar nova vida nas Caatingas que foram desbravadas por antigos e corajosos serranos 100 anos antes e que agora estavam com a fama de promover melhores condições frente ao difícil território do Assuruá onde o "metal" teimava em se "ocultar" e os terrenos de forma geral, são fracos para lavouras comerciais. Portanto, ao se falar em SERRANO na Vila temos que nos reportar á década de 50 do século XIX quando um deles, o senhor Raimundo Pereira Rocha de São Domingos do Severo ( hoje do Seteba) pegando carona no que fizera seu cunhado Venceslau Machado investe uma considerável soma de recursos e adquire (1854) uma faixa de terra junto a do cunhado e dá-lhe o nome de RIACHO D'AREIA, nome do local onde tinha uma fazenda no Assuruá. Para Riacho D'areia ainda nos primórdios veio um provável amigo de infância e de labuta de Raimundo, o serrano Joaquim Alves de Sousa, ele trouxe a esposa Joana Silva (dos Machado e dos "Sabaõ") e talvez um ou mais filhos, com isso, durante muitos anos o povoado teve apenas a presença dessas duas famílias, Raimundo como chefe do clã Rocha-Alves de Sousa e Joaquim como agregado e parceiro. Defino tal período como o da 1ª FASE, fase da implantação e consolidação de Riacho D'areia . Cuidar de "brejos" nas grotas da serra, cultivar mandioca, milho e feijão de corda nas beiradas arenosas da Serra Azul e no vale do Riacho Baixão onde ficavam as casas de moradia, e, principalmente na labuta com gado, pois Riacho D'areia, Uibaí, Barra do Mendes e outros povoados que são Caatinga e Serra ao mesmo tempo, nasceram na lógica da pecuária, criar gado era a atividade econômica principal naquele período. Essa fase durou de 1854 a 1915. De 1915 a 1950 podemos dizer q Riacho D'areia passa por um momento de transição, a pecuária ainda tem peso, mas, algumas pessoas passam a investir em porcos para "toicin”, surgem roças de algodão a pouco quilômetros da comunidade, por ser área de passagem de tropeiros que comerciavam entre Xique-Xique e Lavras (Seabra-Lençois e cia.) aconteceu de um desses apaixonar pelo belo pé de Serra-baixão riachense, ele resolveu vir se fixar (1936-37). O tropeiro se chamava Eliodoro Moreira de Satel, ou “Liodoro Cascavel”, natural do trecho de Canarana-Souto Soares. Antes dele, por volta de 1917 -18, um pernambucano de Salgueiro conhecido como Veím (Felinto Soares Fernandes) já havia se instalado nos arredores de Riacho D'areia numa casa "estranha" se comparada as outras ( depois ficou conhecida como casa de Gió), aqui ele casou com uma moça da terra. Véim morreu bem jovem, aos 48 anos em 1942, deixando Joana Pires com uma carga de filhos, uma já casada (Alzira de Jaime), entre os filhos estava Esmero que ficou famoso pois pedalava pra Xique-Xique (quase 100km) e pras Lavras (mas de 200km) numa desenvoltura como se tivesse em cima de uma potente "Bros", lembre que bicicleta era um objeto valiosíssimo na época. Era mais que algo pra transporte, dava status e força física. NOS ANOS 30 se consolida o processo de transição( a cada ano vai chegando mais gente, prepara-se assim então para o "boom" de 1950 em diante), logo após a feroz seca de 1932, famílias como a de Francôlo (da Gia de Ibitittá), Manoel Bastos (do Alto Cruz-Canoão de Ibititá), João Bispo deixa o Caldeirão de Quincão, João Salto ou João de Maricota deixa o Baixão da Lagoinha e compra terras de Diolino Rocha que prefere tentar São Paulo com sua família, os dois "Joãos" vão dar forma ao interessante bairro da "Mão Fechada" , lugar onde antes só morava Diolino ( neto de Raimundo Rocha, o fundador de Riacho)e sposa e filhos e uma senhora solteira ou viúva de nome Zefa Cabeça Gorda. EM 1939 houve outra seca aterrorizante, um senhor de nome Estanislau Floriz Paiva, filho dos caboclos Zé Meladô e Virgulina Lemos, natural do povoado serrano de Santana, deixa o povoado caaatingueíro de Alto Bonito pra onde fora tentar a vida com lavoura e criação após migrar de Santana. Ele se safou justamente nas baixadas do nosso querido " Baixão" que nesse tempo não corria como riacho mas formava uma baixada úmida com cacimbas, pastos e terra boa onde frutas como banana, tubérculos como batata e ramas como abobora e melancia amainaram a fome de gente e de animais. ESTANISLAU PAIVA, conhecido por Estande assim como JOÃO DE ANJA (João José Oliveira) casado com Angela Queirós (vindos em 1943) “Avós paterno do administradrdeste Blog “Márcio Pires de Oliveira”, portanto, estão entre os serranos preparadores do terreno para a vinda dos PAIVAS e no embalo CUNHAS e FRANCAS, dos QUEIRÓS e no embalo os OLIVEIRAS e outros. Os novos serranos redescobrem o Riacho D'areia e aí junto com negros e mestiços do vale do Rio Verde (Miroró-Velame-Guigó), com caboclos, brancos e negros das Lavras-Chapada, do "Norte" como Caririzêros e Pioizêros, das beiradas do riozão, de Sto. Inácio, daqui de perto como os "Bodêros" alargam o aglomerado que nos anos 60 quando Uibaí se emancipou , já era o segundo maior povoado do distrito Uibaiense sendo elevado á categoria de Vila..., O governo Estadual exigia novos nomes paras as novas cidades e vilas, um grupo de pessoas do lugar escolheu o nome  de HIDROLÂDIA ( TERRA DA ÁGUA) entre quatro ou cinco nomes que ali surgiram ou que  foram sugeridos.

Texto colaboração: Celito Reguemendes 
Image: Internet